segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O reencontro sem encontro


Já é de conhecimento público, que a nossa relação de amizade com o vizinho que veste armani terminou faz algum tempo.
Se desfolharem páginas outrora escritas por nós, percebem perfeitamente que houve aqui uma troca, uma escolha, uma opção.
Porque infelizmente há pessoas que não podem viver em simultâneo com o amor e a amizade. Principalmente quando é amor o que é amizade, e quando é amizade o que se julga ser amor.

Neste caso, vos garanto, que as decisões mais drásticas são as melhores.
Devemos, por vezes, afastar da nossa vida quem só nos baralha, que nem sempre está presente, quem diz não e quer dizer sim, quem diz sim e quer dizer não. Quem só gosta de nós, quando tem liberdade para gostar. Decisões extremas são boas nestes casos.

Eu sempre fui uma pessoa com alguma capacidade de perdão, sei perdoar, porque sei que também cometo erros, por mais que tente ser a melhor pessoa do mundo, sei que ás vezes é incontornável não falhar. E sei que descobri em mim uma pessoa saudosista.
Tenho saudades da minha maravilhosa infância, tenho saudade da musica que acabei de ouvir há cinco minutos. Tenho saudade do que vivi, e por vezes do que não vivi. Tenho saudade dos meus vinte anos.
E descobri que tenho saudades dos nossos vizinhos, que apesar de não o serem mais, serão sempre os nossos vizinhos da frente. O vizinho que veste armani apesar de ter sido eliminado do circulo de pessoas que fazem parte do meu dia-a-dia, apesar de ser uma pessoa em que eu guardo respeito mas não guardo admiração, fez por cinco segundos que eu sentisse saudade do dia em que nos conhecemos.
Tudo porque nos cruzamos nesta rua e em silêncio conseguimos dizer um bolas! simultâneo. Tenho a certeza.

Mas de todas as saudades que tenho, é do futuro que tenho mais saudade.
by C.

2 comentários:

Temperance disse...

"Devemos, por vezes, afastar da nossa vida quem só nos baralha, que nem sempre está presente, quem diz não e quer dizer sim, quem diz sim e quer dizer não. Quem só gosta de nós, quando tem liberdade para gostar."

Não podia ter dito melhor. Às vezes é mesmo assim e não há muito mais que se possa fazer... São vidas passadas.

Quando e como eu quiser disse...

E ter saudade não é mau, porque normalmente só temos saudade, só sentimos falta do que foi bom.