segunda-feira, 29 de março de 2010

Um lugarzinho no céu?


Eu e a N. pressentimos, dados os últimos acontecimentos, que não temos um lugar à nossa espera no céu. E se, por um lado, nos tentamos conformar com a ideia de que o Inferno até é melhor, uma vez que é mais quentinho, mais divertido e melhor frequentado (pelo menos os homens giros vão lá estar todos), por outro, a N. diz que não está para beber chá os dias todos, primeiro porque não gosta, e depois porque beber uma bebida fresquinha em sítio tão abrasador não será tarefa fácil. Perguntam vocês, adoráveis leitores, e com razão, mas porque não irão elas para o céu?

Porque nós pecamos, pecamos um bocado, quando vimos um envelope no vidro do carro do vizinho R.

O envelope estava lá sozinho, a olhar para nós e nós a olhar para ele, mas resistimos, primeiro porque não se pode ler aquilo que não é para nós, depois porque a vergonha se sermos “apanhadas” era superior à curiosidade que habitava em nós no momento. Mas eis que esta aumenta, a curiosidade, e tudo fazia sentido, até porque aquilo estava no vidro do vizinho, mas estava da parte de fora, e tudo o que está da parte de fora de qualquer coisa é de todos certo? E se não fossemos nós a pegar na carta, era outra pessoa qualquer, e começou a chover, e podia danificar-se com a chuva e desaparecer, e…, e…

…e claro, meio à socapa fomos busca-la. O plano era o seguinte, uma olhava para todos os lados possíveis para ver se alguém testemunhava o feito, a outra fazia o crime propriamente dito. Como ladrão é aquele que rouba e aquele que vê roubar, lá fomos para casa, todas lampeiras, com a carta nas mãos e a curiosidade quase a rebentar.

Lá abrimos a carta cuidadosamente, e deparamo-nos com uma panóplia de coraçõezinhos cor-de-rosa, uma coisa a roçar o piroso e o infantil, e uma linguagem desesperada ao estilo “mi liga vai” com o respectivo número de telefone e a respectiva assinatura da donzela.
Gargalhada geral. Eu e a N. não contivemos o riso e as lágrimas de tanto rir.

Finda a curiosidade, decidimos devolver a carta ao carro do vizinho, e por sua vez, aliviar ou tentar, o nosso acto pouco complacente.

Será que ainda temos um lugarzinho no céu caros leitores? Talvez não, talvez não.

By C.


3 comentários:

Kitty Fane disse...

Meninas, não sabia que tinham blogue. Acabei de pôr o link no post. :-)

Girls Next Door disse...

A querida Cacau comentou este post que por engano não foi moderado por nós.

Cacau: ahah tendo em conta que devolveram pode ser que todos os santinhos e afins fechem os olhos e perdoem :P quem não quer vizinhos assim para ter episódios destes? ;)

Raquel disse...

Loool! Boa meninas! Serão perdoadas concerteza, aposto que no céu também querem pessoas divertidas.

Beijinhos as duas.