segunda-feira, 5 de abril de 2010

Assim se é vizinho



Outrora primos, tios ou sobrinhos, ser vizinho naquelas terras não tem o mesmo significado. Ali um vizinho não é apelidado como tal, sendo sempre tratado pelo primeiro ou último nome, em que a sua referencia a alguém não é dada pelo numero da porta, mas sim pela família que o antecede.

Ali um vizinho é quase familia, se não mesmo familia.

Ao invés de partilharem o dia com os chefes e companheiros do emprego, ou com a amiga que toma sempre aquele café tardio, os dias são passados entre o a casa, campo e a rua com os Oliveira, os Martins ou os Marques. Trocam azeite, laranja, batata ou outra coisa qualquer. Agradecem em mil obrigados que o filho de não sei os tivesse levado ao médico a 80 km e lamenta-se uma aldeia inteira pela perda de alguém. O pão, o peixe e a carne têm um sinal próprio e diferente, que para mim tudo é uma buzina de carro igual a tantas outras.

Juntam-se nos bancos da praça recordando os tempos em que "é que era" e falam dos filhos que conseguiram ir longe e mais além. Falam dos subsídios para as colheitas e do que construiu uma casa e "matou" um riacho.

Contam as suas artimanhas para que os de fora não roubem os seus frutos do campo. Como farinha e água misturadas se assemelham a calda e assim 10 m2 de vegetais permanecem intocáveis.

Juntam-se várias famílias para ajudar na vindima do Sr. Alberto, e os filhos e primos do Sr. Alberto juntam-se para ajudar " os do Sr. Albano".

E assim lá longe, assim se é vizinho.

by N.

1 comentário:

Raquel disse...

As vezes gostava de ter vizinhos assim.

Bjs